A arte urbana tem o poder singular de ressignificar territórios, aproximar pessoas e devolver cor a cenários muitas vezes esquecidos pela rotina da cidade. Entre as experiências mais marcantes da minha trajetória artística, participar das ações do Instituto Cidades Invisíveis (ICI) especialmente nas intervenções da Galeria de Arte a Céu Aberto no Morro da Mariquinha, em Florianópolis, reafirmou o papel da arte como ferramenta de acolhimento, lazer e transformação social.

O Projeto Cidades Invisíveis e a Galeria a Céu Aberto
Fundado em Florianópolis, o Instituto Cidades Invisíveis é uma iniciativa de impacto social que conecta arte, educação, cultura e empreendedorismo para reduzir desigualdades e valorizar o potencial das comunidades.
Um dos marcos dessa jornada é o Morro da Mariquinha, no Maciço do Morro da Cruz, que teve suas vielas, becos e fachadas transformados em uma verdadeira galeria de arte a céu aberto. Artistas foram convidados a estender suas linguagens visuais para a arquitetura viva da comunidade, criando um circuito vibrante de arte pública que atrai olhares, incentiva o turismo comunitário e devolve o sentimento de orgulho aos moradores locais.

A Obra Autoral: Expressividade, Geometria e Feminilidade
Ao receber o convite para integrar as pinturas no Morro da Mariquinha, a premissa foi conceber uma intervenção autoral em grande escala que dialogasse com o entorno e gerasse um ponto de contemplação e beleza em meio à paisagem do morro.
Do Bloco Bruto à Cor Viva: O processo teve início no estudo de proporções e dimensões da fachada em blocos estruturais de concreto, convertendo uma superfície crua em uma tela monumental integrada à natureza e às casas vizinhas.
A Força do Fundo em Rosa e Mandalas: A composição é envolvida por um fundo vibrante em tons de magenta e rosa, onde padrões de mandalas e formas botânicas se expandem com fluidez e precisão geométrica, irradiando energia, calor e movimento.
O Trio Feminino e os Olhares: Em primeiro plano, o mural destaca figuras femininas estilizadas com traços marcantes, composições expressivas e contrastes sofisticados de cores — tons terrosos, azul cerúleo, preto profundo e detalhes minuciosos nos olhares. A presença central, emoldurada como uma auréola pela mandala, evoca força, serenidade e acolhimento.

O Impacto: Arte e Lazer como Direito e Pertencimento
Mais do que colorir uma parede, pintar no Morro da Mariquinha representa criar laços com quem vive o território diariamente. É proporcionar um ambiente visual estimulante para as crianças que sobem e descem as escadarias, transformar a rotina dos moradores e mostrar que a arte autoral de alto valor estético pertence a todos os espaços.
Ver a obra pronta, destacando-se entre as árvores e os telhados da comunidade, simboliza o verdadeiro propósito de criar: despertar novos olhares, inspirar vidas e provar que a beleza tem a capacidade de transformar realidades.
Ficha Técnica do Projeto
Projeto: Instituto Cidades Invisíveis (ICI)
Local: Morro da Mariquinha (Maciço do Morro da Cruz) – Florianópolis/SC
Intervenção: Galeria de Arte a Céu Aberto
Técnica: Pintura mural autoral (arte figurativa contemporânea, mandalas e técnicas mistas sobre alvenaria)
Propósito: Revitalização urbana, impacto social e democratização da arte
